Olá! Chamo-me Ana Filipa Piedade e sou uma mulher com raízes profundas em Oestriminis, a Terra das Serpentes ou Ofiússa, hoje em dia conhecida por Portugal. Sempre sonhei em viver uma vida simples na Natureza e, com este sonho em mente, eu e o meu marido, Pedro, decidimos adquirir um bonito pedaço de terra (Quinta Corvo do Côa) no belo e selvagem Vale do Côa, o qual foi habitado pelos nossos Antepassados há cerca de 20 000 anos atrás, deixando as suas marcas nas rochas de xisto locais.

Nutro um amor profundo pelas Artes e Técnicas Ancestrais, e estou determinada a aprender o máximo que conseguir sobre elas, de modo a que possa viver com respeito por esta bela Terra, e potencialmente inspirar outros a fazer o mesmo. Gosto muito de curtume de peles e da arte de trabalhar o couro, de feltragem e, no geral, de qualquer bruxaria que envolva lã. Sinto um amor, um respeito e uma ligação profunda com os meus Antepassados, e esta relação aprofunda à medida que aprofundo a minha compreensão sobre eles e as suas artes, as quais praticaram durante milhares de anos.

Sou Animista. Nutro profundamente as minhas relações com as pessoas Não-Humanas, e esforço-me para viver o mais respeitosamente possível em relação a elas. Sou também fotógrafa. Podem ver uma amostra do meu trabalho no meu segundo website aqui. Adoro contar histórias e a fotografia é o meu meio favorito para expressar aquelas que mais me inspiram.

A minha filosofia é uma de respeito profundo pela Natureza. Desejo fluir com os ciclos do Sol e da Lua, da Vida e da Morte. Desejo fazer parte do meu ecossistema local e desenvolver relações significativas com as pessoas Não-Humanas.

Historia mais Longa

Olá a todos! O meu nome é Ana Filipa Piedade e sou uma mulher Portuguesa com um amor profundo pela nossa Mãe Terra. Este amor sempre existiu no meu coração. Quando era criança, amava e ligava-me profundamente a outros animais, e sentia que a minha missão era ajudá-los e à Terra. Quando me tornei adulta, gravitei naturalmente para o estudo de biologia e ecologia, acabando por tirar o mestrado de Biologia da Conservação. O meu sonho de viver mais perto da Natureza guiou-me a estudar Permacultura e vida simples, e tive o prazer de fazer o meu PDC com os professores mais espectaculares, Josh Gomez e Rosie Stonehill, no Casalinho e Escabelado, uma bonita quinta no centro de Portugal.

Viajei muito e trabalhei em coisas temporárias, aqui e ali. A vida teve os seus altos e baixos. Acreditava que a Permacultura iria salvar o mundo e que tudo ficaria bem. Até que um dia… decido ler os livros “Ishmael” de Daniel Quinn e “A Language Older than Words” de Derrick Jensen. A informação que li neste livros não era necessariamente nova para mim, e no entanto… estes livros tiveram um impacto profundo em mim. Pela primeira vez, entrei num processo de luto pela destruição da Terra. Sentia-me sem poder e sem esperança. Muita dor e tristeza invadiram o meu coração, e eu sabia que tinha que fazer algo para sair daquele buraco, ou então… não sei o que poderia ter acontecido. Sentia que precisava de ligar-me à Mãe Terra a um nível mais profundo. Não sabia bem como nem o que isso significava exactamente, apenas que o tinha que fazer. E foi assim que descobri a Lynx Vilden e o seu curso de Basic Skills. Registei-me no Inverno para um curso que só aconteceria no Outono, e lembro-me de até sonhar com a Lynx e os seus ensinamentos! Mal podia esperar pelo curso! Por fim o curso aconteceu, e foi a experiência mais profunda que alguma vez tinha tido… durante aqueles dias, fiz uma promessa sagrada à Terra em ritual, e desde então que tenho trabalhado no sentido de a cumprir.

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Após o Basic Skills, senti que tinha que passar pelo processo de imersão longo. Assim, em 2018, vivi durante 3 meses na Suécia e na Finlândia, no âmbito do Programa de Imersão Prehistórico da Lynx, com o clã mais bonito que podia ter tido. Foi uma experiência intensa à qual estou imensamente grata. Vivemos e dormimos na floresta. Lavamo-nos nas águas dos lagos mais pristinos. Sentámo-nos no chão, convivemos em redor da fogueira, comemos mais bagas silvestres do que as que conseguimos contar. Rimos e chorámos e partilhámos e abraçámos. E, ao fim dos 3 meses, não conseguia acreditar que tudo tinha realmente acontecido. Era como um sonho… O Clã, o povo Sami local e a Terra ensinaram-me tanto, e seguraram-me em momentos de felicidade, de tristeza e de luto. Para sempre estarei grata a eles.

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Após 3 meses a viver ao ar livre, totalmente imersa na Grande Comunidade de Seres Vivos, foi difícil voltar para o mundo moderno. A falta de silêncio, de espaço e de comunidade. Impedida de voltar a beber directamente de rios limpos. Sem mais contacto com Florestas Pristinas. Estava de volta a um lugar poluído, ruidoso e destrutivo do mundo, e foi difícil adaptar-me. A floresta de Sintra foi o meu refúgio, mas até mesmo nela era difícil não encontrar eventualmente outro Humano. A comunidade Não-Humana em Portugal está cada vez mais sob pressão da civilização. Não têm espaço, nem para onde ir. E até mesmo nós, Humanos, não conseguidos fugir a esta loucura.

Rewilding Portugal – i.e. fazer do nosso país um lugar mais selvagem – nunca foi tão importante. E é este o meu trabalho de vida, e a razão pela qual este website existe. Eu curto peles da forma ancestral. Feltro e fio lã e faço cestos. As peças que faço para vender apoiam-me a mim e ao meu trabalho de rewilding. Faço rewilding de mim mesma ao relembrar estas artes, e espero poder facilitar outros neste processo. Mas mais importante, quando alguém compra uma das minhas peças e apoia o meu trabalho, permite não só que estas artes perdurem como também permitem-me trabalhar num projecto maior: no rewilding dum bonito pedaço de terra no sagrado Vale do Côa, em Portugal.

Como muitos de vós sabem, eu e o meu marido, Pedro, comprámos um pedaço de terra em Trás-os-Montes, Portugal. A Quinta Corvo do Côa está localizada a poucos metros de um dos mais importantes núcleos de arte rupestre Paleolítica da região, e o nosso objectivo é tornar aquele local mais selvagem ao trazer de volta as espécies de árvores nativas que foram cortadas no passado, contribuir para a manutenção da água no solo, e lutar contra as alterações climáticas na região. Como tencionamos mudar-nos para este local eventualmente, planeamos aplicar uma abordagem de Feralcultura, na qual as zonas 4 e 5 são o foco principal do projecto. O nosso gesto é pequeno no grande esquema das coisas, mas este projecto é muito grande e importante para nós os dois. Esperamos mudar-nos para lá brevemente, mas até lá estamos a trabalhar para poupar dinheiro para que isso aconteça. Por isso, não podia sentir-me mais grata por todos aqueles que compram os meus produtos e, assim, apoiam a realização do nosso sonho!

 

Todo o meu trabalho e vida são conduzidos por uma ética de respeito pela Terra. Como Animista, vejo o mundo populado por pessoas Humanas, mas também por pessoas Carvalho, pessoas Truta, pessoas Plantágo, pessoas Montanha, pessoas Rio… i.e., vejo os Humanos como uma parte da grande comunidade de seres. O mundo está repleto de diferentes tipos de pessoas e, por isso, nós como Humanos não podemos simplesmente usar quem quisermos como nos apetecer. É importante estabelecer e manter boas relações com aqueles que vivem à nossa volta, Humanos e Não-Humanos. É importante recordar os modos antigos de vivência, e digo isto duma maneira bastante prática. O que é importante não está “lá fora” algures, fora deste mundo ou desta realidade. A comunidade Não-Humana e os Antepassados habitam esta nossa Terra, e é imperativo que re-aprendamos formas apropriadas de nos relacionarmos com eles. Porque para mim este trabalho é extremamente importante, estou de momento a aprofundar os meus conhecimentos no curso Practical Animism com Daniel Foor, conhecido pelo seu trabalho com os Antepassados. Encontro-me também num processo de aprendizagem dos cantos das Pássaros e da Medicina das Plantas, aprendizagens estas que contribuem para a expansão do meu campo de relações.

Na minha página de recursos (no menu, sob “Sobre”), partilho diversos links para projectos, comunidades, pequenas empresas e pessoas interessante que me inspiram. Espero que gostem e que a lista vos seja útil. Muito obrigada por lerem!

Abraço apertado, Filipa


Sobre o Logo de Wild Ana Crow

Este logo é muito especial para mim. No centro pode-se ver a Cabra Montesa ou Íbex-Ibérico, uma gravura encontrada no Vale do Côa, Portugal, feita pelos meus/nossos Antepassados há cerca de 20 000 anos. Em volta da Cabra, desenhei vários símbolos que foram encontrados em locais de arte rupestre por toda a Europa da Idade do Gelo. Um destes símbolos é particularmente especial para mim após ter visitado Font-de-Gaume em 2016 mas, no geral, todos eles dizem-me muito, apesar de ainda não se saber ao certo o seu significado. Em termos de simbolismo, este logo transparece obviamente o meu amor profundo pelos meus Antepassados da Idade da Pedra, os quais admiro imensamente. Apesar do desenho central ser o de uma Cabra Selvagem, ter escolhido uma Cabra ao invés doutro animal selvagem foi intencional. Eu trabalho muito com peles de ovelha e, no futuro, espero vir também a trabalhar com peles de cabra doméstica. Assim, desejava que o logo as honrasse também, bem como os meus Antepassados mais recentes que trabalhavam com estes animais, vivendo do que a Terra lhes dava. Por fim, o facto deste Íbex estar sob risco de extinção, e duas das quatro subespécies terem recentemente se tornado extintas (em 1890 e 2000), reforça a minha crença na importância do movimento de Rewilding em Portugal. É por isto tudo que gosto tanto deste logo. Ele incorpora muito do que amo.